06/10/2018

Daniel na Cova dos Leões.

Eu juro por Deus que não faço ideia do porque topei sair. É diferente de quando a gente se esbarra sem querer, sem saber. Não, dessa vez eu estava totalmente ciente de que eu a encontraria ali, bela em todos os sorrisos. Já faz um bom tempo, mas eu simplesmente nunca vou parar de sentir muito. A gente finge pros outros que está tudo bem, não dá nada não, eu sou adulto. Mas basta você passar pela mesa e cumprimentar a todos menos a mim, nem um oi, pra eu perceber o tamanho do rombo que eu deixei. Claro, não que eu ache que você realmente se importa hoje. Talvez você mal lembre. Talvez você lembre muito. Não importa, qualquer cenário possível é suficientemente sufocante, pois eu realmente fui canalha e até certo ponto, acredito que mereço. Foi então um exercício de masoquismo? Jamais. Acho que eu quis ir pois, apesar de estar no meio de tantos leões, que me olhavam confusos sem entender minha presença, eu precisava ver você bem, feliz, rindo. E foi bom. Te ouvir cantar sempre foi uma dádiva, uma das coisas que eu mais gostei em você e que como muitas coisas, pouco apreciei enquanto dividíamos o mesmo quarto. Mesmo quando tocou Creep, música que eu exaustivamente executei após o fim do nosso túnel, eu permaneci ali, deixando ecoar em meu cérebro todas as notas. Sempre tive esse grave defeito de nunca demonstrar que está doendo, e mesmo sob olhares céticos e risos falsos, eu fui lá pra te ouvir. Afinal de contas, não é como se meus olhos conseguissem te fitar por muito tempo. Pelo menos os ouvidos não conseguem fugir. Após 6 aniversários frustrantes e sofridos, enfim eu comemorei um aniversário decentemente. Pelo menos dessa vez eu escolhi os leões que queria enfrentar.

I never meant to do you wrong.

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