Como que nos conhecemos? Eu juro, é uma incógnita na minha cabeça. Não foi amor à primeira vista, mal sei de onde você saiu, você era naquela época menos que uma conhecida. Eu era do grupo dos garotos que acabaram de se tornar adultos, e você fazia parte das garotas que acabaram de se tornar adolescentes. Falando assim, soa muito errado hoje em dia, mas naquela época, eu acho que o segundo grupo era mais adulto que o primeiro. E bom, eu era amigo dos seus amigos e vice-versa, então a gente se viu algumas vezes... ah, não vou ficar tentando lembrar como nos conhecemos não. O que eu lembro de verdade é que você ficava com meu amigo e eu, bem. Eu era afim da sua amiga e ela não me dava a menor bola. E mais uma vez, eu não lembro como foi que chegamos ao ponto em que "ah beleza vamos nos beijar aqui rapidão". Mas quando chegamos a esse ponto, ai sim eu passei a gravar os nossos momentos, os nossos beijos, nossas escapadas. Mas vale lembrar: eu ainda era o garoto de 19 anos e você a garota de 14 anos. E seu pai, bem. Ele pensava que nem eu penso hoje em dia: quem esse garoto pensa que é pra namorar a minha filha menor de idade? Bom, não havia nem conversa com o cara né, ele simplesmente não queria a gente juntos. Não queria me conhecer, não queria conversar pra ver que eu era um garoto trabalhador, que não tinha coragem nem de passar a mão na bunda da filha dele por respeito a ela, que sustentava a casa sozinho. Eu queria ter falado com ele, eu achei que eu poderia argumentar mas né, não rolou. E aí aquele nosso breve momento de namoro em que nos vimos provavelmente umas 6 vezes durante o tempo que durou, acabou, afinal de contas namorar escondido parece muito gostoso na ficção, mas é uma bosta na vida real. E bem, não sei se isso foi um ingrediente a mais, mas eu senti como se fosse uma facada no meu peito. Bom, pra começo de conversa, esse blog só existe por conta daquela época, já que eu queria falar aqui da minha enorme frustração ao ter te perdido. Tudo que eu queria é que a gente voltasse, eu sonhava (de verdade) com o dia em que a gente iria estar juntos, com seus pais me aceitando e rindo da época em que isso tudo aconteceu. Dormia agarrado com o travesseiro chorando, via você em todos os lugares, evitava passar na frente do colégio onde você trabalhava, que para meu infortúnio ficava na rua de trás da loja onde eu trabalhava. Foram várias as vezes que te vi passar ali na frente. Foram várias as vezes que te vi na padaria comendo besteiras. Foram várias as vezes que te vi e te desejei.
Pois bem.
Seis meses se passaram desde que terminamos, e durante esse tempo você tentava me convencer de que gostava de mim, mas que a gente devia se esquecer já que era muito errado, e não foi raro passarmos às madrugadas conversando pelo celular discutindo sobre isso. Cara, só de lembrar esse período que ficamos separados, eu lembro do total desespero e angústia que eu sentia. Era sufocante, e quando eu sabia que você tinha ficado com outro cara eu ficava mais inconsolável ainda. "Ó vida, porquê fazes isso comigo?".
Mas teve uma segunda chance.
E eu agarrei aquela chance com unhas, dentes, braços... eu agarrei com o corpo todo. Aí inauguramos a segunda parte da nossa história: um ano mais velhos, os mesmos problemas e novas soluções. Começamos a nos ver de madrugada, escapando dos holofotes que as pessoas jogaram em cima de nós. Consumamos amor, consumamos felicidade mesmo com rostos tremendo de frio. Naquela época eu enxergava aquilo não só como uma segunda chance, eu enxergava aquilo como a última chance. Cada beijo uma despedida, cada abraço um novo reencontro. Meus olhos brilhavam quando contava de você para os amigos, eu tinha real orgulho de estar com alguém que eu amava de verdade, a ponto de sentir ciúmes, o único relacionamento onde eu realmente senti ciúmes. Ciúmes. A gente brigava, mas só brigava por não sermos um casal normal. A gente chorava, mas só por ser impossível conversarmos pessoalmente que nem pessoas normais. Foi muito difícil: O nível de dificuldade para ficarmos juntos era contraponto para justificar o nível de amor que sentíamos. Mas vale lembrar: Você tinha 15 anos e eu 20. E de repente você simplesmente aloprou. Sei lá se foi por conta das amizades ou se foi apenas por eu ser um pé no saco, mas a verdade é que você passou a fazer um monte de merda: fumar, beber, ficava junta de uma galera estranha demais. E foi no momento onde você começou a ter liberdade para sair, quando vislumbrei que a gente poderia ficar juntos como um casal mais normal, aconteceu algo muito legal: Fizemos seis meses de namoro, você foi para uma festa, fez todo tipo de besteira possível lá e eu, mesmo com raiva, tentei só conversar contigo para te falar que você estava seguindo um caminho errado. Logo eu, o santo imaculado certo de tudo. Você se emputeceu por nada e terminou comigo sem nenhum aviso prévio. Foi tipo "Terminamos tá? Não me procure mais, beijos."
E eu sofri. Mas sofri foi muito.
Durante anos (!) eu sofri. Primeiro pelo término, segundo por você logo após começar a namorar um cara moreno, bonito e forte, surfistinha playboy. Esse o seu pai deixava você ver e namorar. E você era cruel, não é mesmo? Tipo quando falou dos detalhes sórdidos das suas transas com ele para meu melhor amigo, só porque sabia que eu estava do lado dele lendo pelo MSN. Ou quando inventou aquela besteira de que eu estava te encarando na praça e fez a cabeça do seu então namorado vir me peitar querendo briga. Cara, eu sofri, eu sofri tanto que eu passei relacionamentos pensando em ti, sem achar em outros corpos o que achei contigo, sem equalizar com ninguém aquilo que tínhamos nivelado, e o pior é que aquele sentimento que me confortava enquanto juntos me sufocava enquanto separados, potencializado pela sua total falta de senso comigo, me maltratando à toa.
Foram quase quatro anos sofrendo por você.
E de repente, um dia você me procura lá no Facebook pra dizer que terminou com o cara. Disse que se arrependia das coisas que fez comigo, que sabia que tinha errado e que era jovem demais na época. Disse que havia sofrido também com nosso término e que tudo aquilo foi um teatro para algo maior. E que teatro foi esse? Simples. Na noite da festa você me traiu, não teve coragem de me contar e achou que seria melhor simplesmente me fazer te odiar. Bom, o tiro saiu pela culatra, né? Além de não te esquecer, eu não sentia qualquer raiva de ti, pelo contrário, sofria mais e mais por gostar de você. Mas foi naquele instante, naquele momento em que você confessou seus crimes que o espelho se quebrou na minha frente e o encanto se foi. Afinal, você provou para mim que eu era apenas um amor de verão, um carinha que você gostou por um tempo, mas que preferiu curtir sua jovialidade ao invés de ficar presa a um cara velho.
E sabe de uma coisa? Você estava certíssima.
Eu me sinto meio Tom numa vida em que você foi meio Summer, onde eu não percebi que eu era só uma bucha de canhão num universo muito maior que era o seu desenvolvimento como pessoa. Eu não duvido que você tenha gostado de mim, mas tenho certeza absoluta que foram sentimentos muito diferentes, o meu e o seu. Saber a verdade destroçou de vez meu coração, mas fez nascer um novo eu. Logo eu, que me afundei em um mar de vícios após nossa separação, passei a enfim encarar o mundo de uma nova forma. Me cobrei por ter sido ingênuo, me cobrei por ter sido infantil durante todo o tempo que passou, mas é fato: eu é quem não quis enxergar o que eu era pra ti.
E hoje?
Bom, hoje eu sei que você foi o meu primeiro amor verdadeiro. Doeu, feriu, mas também me fez genuinamente feliz. Só sou gratidão a isso. Mas tanto eu quanto você quem lê esse texto devem concordar com uma coisa: Foi muito errado tudo isso.
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