Uma noite qualquer.
Mas as sirenes soavam.
O ar estava pesado, era estranho.
Mas não era altitude, era greve.
Era falta de comida.
Era falta de vida na rua.
Com pouco dinheiro sorri.
Peguei minha lotada e segui.
Ao chegar na rua de casa, desci.
O carro marrom também desceu.
Virou a direita, eu fui reto.
Por algum motivo ele deu a volta.
Eu segui.
Ele me fechou.
Eu segui.
E um homem saiu do carro marrom.
Seu rosto era metálico, brilhava e podia me matar.
Era reluzente.
Eu parei.
Ele só queria o celular, tinha pressa.
Eu entreguei.
Sem uma única alteração no coração.
- Não olhe para trás, ele disse.
Eu já não iria olhar mesmo.
- Se olhar a placa você morre.
Grande merda.
Voltei a seguir meu caminho.
Sem celular.
Sem emoção.
Sem medo.
Sem nada.
O que diabos minha vida se tornou?
Que tipo de monstro me dominou?
Sei lá.
Só sei que segui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário