17/05/2016

Boneca Narcoléptica.

Boneca de pano, visitante dos sonhos. Quem és, tão branca feito porcelana, com lábios de estopa e olhos de botão? Responda ao mundo seu viés de vida, o viés de sua bainha. Explica-te a ti mesmo como fazes para pular de nave em nave feito algodão-doce em chamas, explica-me como faz para visitar Morfeu a cada nau a deriva. Narcoléptica inveterada, toma banho de orvalho na relva verde musgo que gruda em tua sorte, tão forte. Assume seus riscos, desenha tua tribo, não nasceu no planeta vigente, mas sabe que deténs a chave da porta da frente. Não obstante, não se abstenha. Com seu punho celeste, dite moda as nossas cabeças, não corrompa o véu branco que cai do céu, que cobre seu corpo banhado da noite dos impuros, dos puros e dos passageiros da vida. Boneca transitória, malemolente, indecifrável. Acenda o seu cigarro e conte sua história, sua vida, mas não me deixe despertar, pois em sua guarda, todo sonho visitado ganhou um motivo a mais para ser sonhado. E nem pense em acordar também, narcoléptica, já que nem sempre o ódio vem de uma origem perfeita, e seu último suspiro pode ser muito bem a respiração de uma nova vida.

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