15/03/2016
Enxergar.
O que é o vazio, senão uma grande parcela de sentimentos ruins inacabados, de motivos inexistentes para desistências que não existem, de gostos que nunca foram degustados, sentidos no alto da língua. Uma grande junção inacabada de atos divididos em um roteiro falho sem atores definidos, mas que um por um, aparecem do nada. São sentidos aguçados eliminados pelo golpe do destino, destino esse inevitável, implacável. O vazio existencial, impreenchível. É a vida e morte do show da sobrevivência. Pontos disformes no espaço temporal, pedaços insignificantes na vida de alguém. Almas recicláveis na vastidão do triste mundo que desponta no nascer do sol. O tempo volta, o tempo vai, mas que tempo volta se nenhum tempo chega? E chega dessa síndrome viajada, aperte sua brasa. Abra seus olhos, veja o que acontece: O mundo mudou. Você só precisava enxergar.
Fósforo
Amargo como o café de um copo sujo feito numa fábrica velha que estava a venda cinco anos atrás por um proprietário velho, quase morto, que tinha grande amargor em sua fala. Ele dizia para os netos que a vida era igual um fósforo: Curta, com um leve momento de luz, depois uma brasa, e no fim só sobravam as cinzas. E as cinzas do velho foram jogadas no mar Cáspio próximo as redondezas de Baku, que fica no Azerbaijão, país incrustado entre a Ásia e Europa. Continentes do planeta Terra, que lembra o marrom da terra e por fim, nada lembra as cinzas velhas de um velho que morreu de velhice.Velhice problemática por vários vazios existenciais, mas que existência um homem assim desempenha no mundo?
A mesma existência sua, que lê aqui. E se você não prestar atenção no mundo ao seu redor, sua linha do tempo se resumirá a um palito de fósforo. Aproveite a viagem, ela é de graça.
A mesma existência sua, que lê aqui. E se você não prestar atenção no mundo ao seu redor, sua linha do tempo se resumirá a um palito de fósforo. Aproveite a viagem, ela é de graça.
Calor-rei
A tarde apenas começou
Fúlgida como o sol que desponta
Um calor devastador
Que deixa sua alma tonta.
Quase tolero esse clima
Mas é impossível gostar do quente
A única forma realmente boa de calor
É a de um corpo ainda latente.
Nessa situação vil
Penso até em subornar o sol
Mas como comprar o Astro-rei
Se não se pesca-o com linha e anzol?
Admito minha derrota infeliz
Por agora, não lutarei contra essa natureza
Afinal, não me resta muito
Além de admirar vossa realeza.
Mas não pensem que estou conformado
Derrota é diferente de adaptação
Não me inquieto, procurá-lo-ei derrotar
Até minar meu inábil coração.
Fúlgida como o sol que desponta
Um calor devastador
Que deixa sua alma tonta.
Quase tolero esse clima
Mas é impossível gostar do quente
A única forma realmente boa de calor
É a de um corpo ainda latente.
Nessa situação vil
Penso até em subornar o sol
Mas como comprar o Astro-rei
Se não se pesca-o com linha e anzol?
Admito minha derrota infeliz
Por agora, não lutarei contra essa natureza
Afinal, não me resta muito
Além de admirar vossa realeza.
Mas não pensem que estou conformado
Derrota é diferente de adaptação
Não me inquieto, procurá-lo-ei derrotar
Até minar meu inábil coração.
12/03/2016
Internet.
Ligo o PC.
Voam palavras. Voam sorrisos e também piadas.
Pego um café.
Acendo aquele cigarro.
Voam frases. Voam corpos dançando.
O café acaba.
O cigarro apaga.
Voam luzes. Voam desenhos e também emoções.
Está tarde, eu deveria dormir?
Mas são só 3:00 da manhã.
Voam fotos. De família e nudes também.
Acendo mais um cigarro.
Apago as luzes.
Voam músicas. E também videoclipes.
Danço um pouco.
Canto um muito.
Voam saberes. Voam dúvidas.
Penso em muitas coisas.
Não penso em nada.
Voam piadas. Voam nadas.
Nadas.
Tudos.
Desligo o PC.
Mas a internet está ali, na palma da mão.
Encosto a cabeça no travesseiro.
Voam conversas. Voam jogos.
Eu não durmo.
Eu quero mais.
Mas o que mais pode voar?
Voa tudo.
E nada mais se absorve.
Voam palavras. Voam sorrisos e também piadas.
Pego um café.
Acendo aquele cigarro.
Voam frases. Voam corpos dançando.
O café acaba.
O cigarro apaga.
Voam luzes. Voam desenhos e também emoções.
Está tarde, eu deveria dormir?
Mas são só 3:00 da manhã.
Voam fotos. De família e nudes também.
Acendo mais um cigarro.
Apago as luzes.
Voam músicas. E também videoclipes.
Danço um pouco.
Canto um muito.
Voam saberes. Voam dúvidas.
Penso em muitas coisas.
Não penso em nada.
Voam piadas. Voam nadas.
Nadas.
Tudos.
Desligo o PC.
Mas a internet está ali, na palma da mão.
Encosto a cabeça no travesseiro.
Voam conversas. Voam jogos.
Eu não durmo.
Eu quero mais.
Mas o que mais pode voar?
Voa tudo.
E nada mais se absorve.
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