19/01/2014

A Certeza de Um Olhar.

Alguns momentos da nossa vida são mágicos. O primeiro dia na escola, o primeiro beijo, a primeira vez. O primeiro dente que cai, a primeira amizade, o primeiro inimigo. A primeira conquista, a primeira perda. O primeiro emprego, o primeiro fio de cabelo branco, a última centelha de vida que parte.
E como todos esses momentos importantes, reservo um em especial hoje. Provavelmente todos que se apaixonam de verdade um dia passarão por isso. Estarão perdidos no meio de uma conversa com a pessoa amada, rindo, chorando, discutindo ou apenas... conversando. E então tudo vai se emudecer, você verá apenas os lábios se moverem. O que estiver a volta, sumirá. Sumirá por completo, só será você e essa pessoa. Sua respiração será ouvida de dentro de sua cabeça, e será provavelmente o único barulho sólido ali. Tocará a música de vocês na cabeça. Tocará outra música. Tocará inúmeras músicas. E daí você vai olhar bem no fundo dos olhos dessa pessoa e vai imaginar sua vida inteira ao lado dela. Casamento, filhos, problemas, brigas. Pensará em tudo. E daí fará o teste do sofá, que é muito simples: Se imaginará velho, ao lado dessa pessoa também velha. Tudo isso acontecerá numa fração de segundos, numa respiração ofegante, num olhar idiota. E quando você se der conta, a única coisa que ouvirá é:
- Que foi amor, aconteceu algo?
Você não precisará responder nada, pois já ganhou a resposta mais importante da sua vida. Você encontrou a metade de sua vindoura família.

02/01/2014

Poeta Vadio.

Não existe segredo na paz do sexo, o que traz a prática é completamente conexo.
Os corpos giram de prazer, com mãos cheios de motivos a fazer.
Sem manter quieto o instinto que nasce em qualquer recinto.
Línguas que descem, que sobem. Que encontram a língua certa, idioma do amor.
Que quando falada, adentra no seu psique, esventra o seu coração.
E lá, jogado na cama, aparecem os segredos de quem se ama.
Torna exausto o corpo doce. Febril o indivíduo precoce.
Se os lençóis voam, azar o deles! Não foram contagiados pela doença da cópula.
O corpo que encontra o corpo, que penetra, que é penetrado. O vazio que se preenche. Que se acha.
Que no encontro de suores torna corpos frágeis em estrelas brilhantes. Pompeantes.
A menina que se transforma numa linda mulher, devorada sem talher. O menino que se descobre homem, com desejos que se consomem.
O sexo, puro e simples, que torna qualquer delicado num poeta vadio, que torna qualquer posição uma gangorra de paixão, com ou sem exaustão.
E engana-se quem pensa que no gozo se encontra o fim da história marfim.
Do rijo que entra, que sai, nasce o prazer de te possuir todos os dias, se era isso que pretendias.
Afinal, a partir de agora, todo meu corpo será seu órgão sexual. E você terá de aprender a nunca mais se conter.
Pois duvido que orgasmo não lhe venha, pois é nesse fogo que pretendo lançar minha lenha.