Joelhos no chão, mãos ultrapassando as nuvens, suas orações em silêncio.
Dor de verdade é essa da terra seca penetrando em suas pernas, da força inata da natureza consumindo seu corpo.
Dor de partir, de te ver partir, de se partir ao meio.
E não há nada de errado com todos esses filhos da puta que atiram contra sua face.
Sem armas, sem mãos. É apenas maldição.
Inaptos. Tolos.
Dormindo debaixo de nossas cobertas, imaginando essa onda de pecados capitalistas. Porcos ativistas.
Do céu cai a chuva da discórdia, que permeia a terra com medo enlatado.
Sin City? Não, esse lugar é real.
É muito mais do que um pedaço de gibi, um pedaço de subconsciente.
Apenas o retrato falado de uma glória do passado. Um pecado do futuro.
É a jóia rara dos ímpios. Ou quem sabe o maior pecado dos justos.
Um lugar onde o coração já não bate, apenas os bolsos.
Onde sua carteira é batida.
Bem vindo ao mundo real, lugar de gente feliz.
30/09/2013
24/09/2013
Because.
A noite estava estranha. O vento soprava forte, mas não ouriçava os pelos do corpo. O frio não pairava naquela terra tropical. Mas havia mais com o que se preocupar. O céu estava estrelado, mas tão estrelado, que crédulos diriam que Deus salpicou poeira cósmica no céu. E incrédulos também.
E no meio de um bate boca, vinte e poucos anos depois, que encontrávamos aquela criatura engraçada, sentada a frente de um bar numa cadeira de madeira maciça, com seu copo de água. "Água hidrata, é suficiente" dizia ele. E o que importa realmente, é o que está por dentro.
Meio que sem querer, olhou pro lado acompanhando a velocidade dos carros na pista, e foi assim que a viu.
Ele não reparou na sua roupa, somente o suficiente para constatar que era linda. O céu havia deixado cair uma estrela.
Seus olhares não se trocaram, pobre rapaz. Ela talvez nem lembre mais de você.
Abusado, ousado, convicto, direto. Mas só em seus sonhos.
Pessoalmente era a pessoa mais babaca que existia. Não sabe nem dizer um olá.
- Olá! Disse ela
Se emudeceu, levantou as mãos e a viu passar. Sua felicidade já havia se completado, ela reparou nele.
Ela falou com todos no local, abraçou as crianças, sorriu para as fotos. Não derrapou em nenhum momento, afinada como sempre. E como num quê sem porquê sentou na cadeira vaga da mesa desse pobre rapaz.
Tadinho, nem estava arrumado, foi lá só pra prestigiar os amigos. Como poderia chamar a atenção da sua moça desejada?
Mas chamou, com direito a peças e ironias da vida.
Entre seus goles de água, apareceram os de vinho. Recusadas por ele, não por ela.
A conversa não parecia ter qualquer nexo, mas suas bocas não paravam de se mexer. Eles tinham tanto em comum e muito a discordar. Nada disso importava afinal, pois o garçon derrapou e deixou cair a taça de vinho do casal ao lado. Foi aí que os risos se reencontraram.
Ousado, disse quase que tremendo na cadeira:
- Olha, mas que sorriso lindo que você tem!
Depois pensou na porcaria de cantada que mandou.
Ela agradeceu, e sorriu. Dessa vez um sorriso só pra ele, guardado a sete chaves.
Não era muito fácil para ele entender o porque ela havia saído da vida dele, assim, pelas portas dos fundos, sem dizer nada. Só que naquela noite mais nada importava, era ela e ele, ele e ela.
Ela o pegou pelas mãos e saiu correndo pela rua, para surpresa de todos ali presentes. Alguns gritos de "olha a viadagem" não conseguiram quebrar o clima deles. Aliás o clima era deles, um mundo particular ali construído, o que nos faz pensar que mundos paralelos realmente existem, e existem nos corações de cada ser disposto a se entregar ao próximo.
Correram pela rua e riram mesmo sem fôlego. Aquela risada cansada, sem qualquer explicação. Ou havia?
Ao lado de uma borracharia velha, já abandonada, ela o jogou no muro e o beijou. E não era só um beijo que ali nascia, era muito mais. A começar que para ele, era uma sensação não experimentada já a algum tempo, já que pensava calmamente todos os dias sobre qualquer coisa, menos na mulher que desejava. Trabalho, casa, vida, estudo, médico, família, bolsa, carro, esporte, natação, ovo mexido... Tudo havia sido posto à frente, não por importância, e sim por culpa do ócio de seu corpo.
Ele retribuiu o beijo com suas mãos que acariciavam seu rosto de forma suave. Contornavam silenciosamente as bochechas de Rose, que suspirava entre um beijo e outro.
Agarrando-o pelos cabelos, beijou-lhe o pescoço. Os corpos se esquentaram, as mãos se agitaram, os corpos foram unificados. Ao avanço do sinal, ela pegava as duas mãos dele e as prendia na parede, como quem lhe dizia: Ainda não, me conquiste, me tenha por inteira. E o que poderia ser frustração para qualquer humano com camarões na cabeça, foi uma gota de felicidade em forma de orvalho que lhe caía na testa. Levou-a até o portão de sua casa, passando por todo tipo de lugar, sempre dançando junto dela qualquer som que se ecoasse pelas ruas, fosse uma buzina ou o ranger de portões.
Beijos e mais beijos, e aquela incapacidade de dizer: Até logo.
Quem fica longe por muito tempo, não pensa em largar o outro. Nunca mais.
Even because...
E no meio de um bate boca, vinte e poucos anos depois, que encontrávamos aquela criatura engraçada, sentada a frente de um bar numa cadeira de madeira maciça, com seu copo de água. "Água hidrata, é suficiente" dizia ele. E o que importa realmente, é o que está por dentro.
Meio que sem querer, olhou pro lado acompanhando a velocidade dos carros na pista, e foi assim que a viu.
Ele não reparou na sua roupa, somente o suficiente para constatar que era linda. O céu havia deixado cair uma estrela.
Seus olhares não se trocaram, pobre rapaz. Ela talvez nem lembre mais de você.
Abusado, ousado, convicto, direto. Mas só em seus sonhos.
Pessoalmente era a pessoa mais babaca que existia. Não sabe nem dizer um olá.
- Olá! Disse ela
Se emudeceu, levantou as mãos e a viu passar. Sua felicidade já havia se completado, ela reparou nele.
Ela falou com todos no local, abraçou as crianças, sorriu para as fotos. Não derrapou em nenhum momento, afinada como sempre. E como num quê sem porquê sentou na cadeira vaga da mesa desse pobre rapaz.
Tadinho, nem estava arrumado, foi lá só pra prestigiar os amigos. Como poderia chamar a atenção da sua moça desejada?
Mas chamou, com direito a peças e ironias da vida.
Entre seus goles de água, apareceram os de vinho. Recusadas por ele, não por ela.
A conversa não parecia ter qualquer nexo, mas suas bocas não paravam de se mexer. Eles tinham tanto em comum e muito a discordar. Nada disso importava afinal, pois o garçon derrapou e deixou cair a taça de vinho do casal ao lado. Foi aí que os risos se reencontraram.
Ousado, disse quase que tremendo na cadeira:
- Olha, mas que sorriso lindo que você tem!
Depois pensou na porcaria de cantada que mandou.
Ela agradeceu, e sorriu. Dessa vez um sorriso só pra ele, guardado a sete chaves.
Não era muito fácil para ele entender o porque ela havia saído da vida dele, assim, pelas portas dos fundos, sem dizer nada. Só que naquela noite mais nada importava, era ela e ele, ele e ela.
Ela o pegou pelas mãos e saiu correndo pela rua, para surpresa de todos ali presentes. Alguns gritos de "olha a viadagem" não conseguiram quebrar o clima deles. Aliás o clima era deles, um mundo particular ali construído, o que nos faz pensar que mundos paralelos realmente existem, e existem nos corações de cada ser disposto a se entregar ao próximo.
Correram pela rua e riram mesmo sem fôlego. Aquela risada cansada, sem qualquer explicação. Ou havia?
Ao lado de uma borracharia velha, já abandonada, ela o jogou no muro e o beijou. E não era só um beijo que ali nascia, era muito mais. A começar que para ele, era uma sensação não experimentada já a algum tempo, já que pensava calmamente todos os dias sobre qualquer coisa, menos na mulher que desejava. Trabalho, casa, vida, estudo, médico, família, bolsa, carro, esporte, natação, ovo mexido... Tudo havia sido posto à frente, não por importância, e sim por culpa do ócio de seu corpo.
Ele retribuiu o beijo com suas mãos que acariciavam seu rosto de forma suave. Contornavam silenciosamente as bochechas de Rose, que suspirava entre um beijo e outro.
Agarrando-o pelos cabelos, beijou-lhe o pescoço. Os corpos se esquentaram, as mãos se agitaram, os corpos foram unificados. Ao avanço do sinal, ela pegava as duas mãos dele e as prendia na parede, como quem lhe dizia: Ainda não, me conquiste, me tenha por inteira. E o que poderia ser frustração para qualquer humano com camarões na cabeça, foi uma gota de felicidade em forma de orvalho que lhe caía na testa. Levou-a até o portão de sua casa, passando por todo tipo de lugar, sempre dançando junto dela qualquer som que se ecoasse pelas ruas, fosse uma buzina ou o ranger de portões.
Beijos e mais beijos, e aquela incapacidade de dizer: Até logo.
Quem fica longe por muito tempo, não pensa em largar o outro. Nunca mais.
Even because...
16/09/2013
Rascunho.
Começou como uma folha branca. Simples, apenas pauta e nada mais.
Do céu, avistava-se um gigante lápis, sedento para desenhar.
Mas como assim, do nada ele aparecia? Sim senhor!
No início eram apenas riscos. Curvas desconexas vindas de dedos suados.
Uma curva bonita aqui, outra ali, mas nada que fosse realmente interessante.
Passa borracha, mão gigante!
E passou.
Uma nova tentativa, vamos lá.
O lápis foi apontado, polvilhando grafite naquele branco já encardido.
Suavemente, a ponta foi pressionada, e desenhos mais suaves apareceram.
Ainda não era suficiente, os detalhes estavam estranhos, lembravam Dalí.
E dali, e aqui, e dá-lhe a borracha a apagar.
Essa história se sucedeu por várias e várias vezes, até que o papel ficasse febril de tanto ser apagado.
A névoa cinza dominava toda aquele ondulado papel opaline. A luz já não passava por grande parte daquele papel.
De repente, outra mão apareceu ali. Expulsou aquela mão feia e trouxe seu próprio lápis.
Mas havia pouco espaço ali para desenhar, já que aquele papel estava registrado com tanto rabisco sólido.
Algumas noites em branco, uma pequena tentativa. O céu azul, o céu cinza, o céu negro.
Vários momentos passaram. Mas a página nunca era virada.
A mão se afastou, raciocinou, respeitou.
Foi embora, mas voltou com uma pena, sulcada de tinta.
Deixou ali uma marquinha.
Um pinguinho.
E esperou.
Frágil, absorveu aquela gota de tinta.
Por fim, desenhou uma rosa, bem no cantinho, mesmo que quase ninguém visse.
Mas o papel viu. O papel registrou.
Embranqueceu um bocado. Talvez fosse um recado.
- Não rabisques se a intenção for só borrar meu humilde ser. Não marque forte aquilo que não quer ter.
Ora, era só o rascunho! A obra-prima? Um dia, quem sabe.
Por ora, a pena era suficiente para percorrer por lá, e fechar com vinhas as rosas que eram desenhadas em cada borda, sem o consentimento de ninguém, mas com uma vontade incrível de fazer o desenho perfeito.
Do céu, avistava-se um gigante lápis, sedento para desenhar.
Mas como assim, do nada ele aparecia? Sim senhor!
No início eram apenas riscos. Curvas desconexas vindas de dedos suados.
Uma curva bonita aqui, outra ali, mas nada que fosse realmente interessante.
Passa borracha, mão gigante!
E passou.
Uma nova tentativa, vamos lá.
O lápis foi apontado, polvilhando grafite naquele branco já encardido.
Suavemente, a ponta foi pressionada, e desenhos mais suaves apareceram.
Ainda não era suficiente, os detalhes estavam estranhos, lembravam Dalí.
E dali, e aqui, e dá-lhe a borracha a apagar.
Essa história se sucedeu por várias e várias vezes, até que o papel ficasse febril de tanto ser apagado.
A névoa cinza dominava toda aquele ondulado papel opaline. A luz já não passava por grande parte daquele papel.
De repente, outra mão apareceu ali. Expulsou aquela mão feia e trouxe seu próprio lápis.
Mas havia pouco espaço ali para desenhar, já que aquele papel estava registrado com tanto rabisco sólido.
Algumas noites em branco, uma pequena tentativa. O céu azul, o céu cinza, o céu negro.
Vários momentos passaram. Mas a página nunca era virada.
A mão se afastou, raciocinou, respeitou.
Foi embora, mas voltou com uma pena, sulcada de tinta.
Deixou ali uma marquinha.
Um pinguinho.
E esperou.
Frágil, absorveu aquela gota de tinta.
Por fim, desenhou uma rosa, bem no cantinho, mesmo que quase ninguém visse.
Mas o papel viu. O papel registrou.
Embranqueceu um bocado. Talvez fosse um recado.
- Não rabisques se a intenção for só borrar meu humilde ser. Não marque forte aquilo que não quer ter.
Ora, era só o rascunho! A obra-prima? Um dia, quem sabe.
Por ora, a pena era suficiente para percorrer por lá, e fechar com vinhas as rosas que eram desenhadas em cada borda, sem o consentimento de ninguém, mas com uma vontade incrível de fazer o desenho perfeito.
12/09/2013
Tac.
Um peão pode ter poder para ser torre, bispo, cavalo ou rainha, mas se não for nomeado nada, não importa a boa vontade de quem o vê, ele será apenas um peão.
Infelizmente, peões são apenas sacrifícios.
Descartáveis soluções.
Só que depois de tapar o buraco, o peão vai embora. Some. Morre.
Aí... só na próxima partida você vai poder decidir se um mero peão pode ser sua peça mais importante, ou se vai deixar ele morrer novamente.
Infelizmente, peões são apenas sacrifícios.
Descartáveis soluções.
Só que depois de tapar o buraco, o peão vai embora. Some. Morre.
Aí... só na próxima partida você vai poder decidir se um mero peão pode ser sua peça mais importante, ou se vai deixar ele morrer novamente.
Assinar:
Comentários (Atom)