18/11/2011

Pintor

E eu, que tinha uma paleta com cores frias, tons nublados e tinturas chuvosas. Era eu, pintando o quadro do futuro, retocando a queima-roupa com lágrimas os borrões indesejáveis. Eis eu, lá, caminhando com minha tela, por debaixo de meu casaco. Andava pela estrada do desconhecido, rumando ao amanhã. Sem meu pincel, o que me restava para pintar eram as mãos. E na poça d'água, refletiu meu sorriso sarcástico, dedurando minha extrema infelicidade. Para aqueles que não compreendem a grandeza disso, eu era o pintor das obras vazias. E nenhuma obra-de-arte existia, apenas quadros brancos, sem cor, sem movimento, sem vida. Uma porra de obra maciça, de falsa emoção e bom, eu estava lá, sentado, a chorar. Só que de alguma forma tudo mudou...

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