21/07/2021

Troca Equivalente.

Eu sempre fui um cara de dar o que recebo. Num geral, acredito que falsidade se paga com falsidade, amor se paga com amor e um copo de café se paga com um copo de café. É assim com o que queremos comprar, confere? Confere.
Levar isso à ferro e fogo por anos e anos sempre me fez ver o mundo de uma forma meio cinza, sem limiares: sem certo e errado, sem bem e o mal. Todos temos uma balança moral dentro de nós e da nossa perspectiva, estamos certos e outros errados. Afinal, o que é o certo? Quem definiu isso e decidiu impor aos demais? Normas sociais são instituições falidas a décadas, talvez a séculos. E aí cabe de cada um mensurar o que isso significa, mas a princípio, entendo que basta saber que está certo para se estar certo.
Só que eu tenho noção do que eu acho errado também, e nesse ponto, jamais me botei como herói de minha história. Aceito de bom grado os erros que cometi. Acredito neles e, se por um lado não tenho orgulho destes, ao menos não finjo que não os conheço. Estão lá nas prateleiras de vergonhas, pega quem quiser pra usar contra mim.
E é aí que eu chego a um grande defeito: vingança. Doce e cruel para uns, justiça triste para outros. A vingança só tem sentido quando ela é uma resposta à altura do que lhe aconteceu. Quando você ultrapassa esse limite, ela sai do controle. Você sai do controle.
São equações simples: A garota que eu gosto está dando em cima de outras pessoas mesmo estando comigo = irei fazer a mesma coisa. Minha namorada que finge não namorar comigo está vivendo uma vida dupla em outra cidade = vou trair ela sem nenhum dó. Deu em cima de algum amigo meu = vou dar em cima da amiga dela.
Gosto de usar exemplos com relacionamentos pois é com o que as pessoas mais se enxergam. É simples de digerir.
Só que o homem (ser humano) vive de formas diferentes antes e depois de perdas. E quando a gente se depara com a fragilidade da vida, algo muda. De alguma forma. Não sei se nos torna melhor ou pior, mas algo muda. Conceitos mudam. O olhar muda. O julgamento muda.
E ai eu, hoje, que sempre fui um defensor convicto da vingança honesta, acho hoje uma grande perda de tempo. Pessoas boas erram. E justo eu, que sempre aceitei meus erros, jamais percebi que errava o ato de ser um babaca simplesmente por que erravam comigo. E uma amiga minha teve que morrer pra eu entender a sabedoria de suas palavras.
Não importa se erraram conosco. O que importa é o que a gente faz com isso. Perdão e vingança são distrações que estendem ou encurtam a história do acontecido, mas que jamais mudarão o que de fato aconteceu. Hoje eu aceito que a vingança realmente nunca é plena, assim como que a troca equivalente não existe nem no mundo dos alquimistas.