Eu acho que fiquei uns 3 anos bem fechado, até certo ponto meio bugado. Sabe, entregando migalhas de mim para pessoas que não poderiam curar minhas feridas. A gente aprende na marra que nossas feridas só se fecham quando nós as curamos. Ninguém é prefeitura pra fechar os buracos na alma dos outros.
Claramente eu não pensava assim, e nesse meio tempo, encontrei pessoas pelo caminho que ou me machucaram, ou que eu machuquei. É, não sou nenhum santo, eu fui egoísta em alguns momentos também, mas só quando a gente erra que a gente aprende a perdoar. Ou melhor, a dar valor ao perdão. Estar cheio de si mesmo lhe impede de apreciar melhor o perdão. E sinceramente, tem que ser muito egocêntrico pra achar que só você está sempre certo.
Tô aqui pra apanhar por cada erro que cometi nessa vida. E é até por isso que quando alguém fala mal de mim (e a pessoa está certa) eu confirmo, aceito e é isso. Enfrentar os erros faz parte de sermos alguém melhor. Mas por quê diabos eu tô falando isso?
Bom, eu tava cansado e queria tentar de novo. Real. Nada de meias medidas, meios copos ou meios termos. Eu queria algo sério, novo, incrível, surreal. Queria experimentar a sensação de amar e ser amado sem ter que pensar no que os outros pensariam, sem ter que ligar para passados. Só pegar o peso excedente, jogar pra fora do carro e "é isso, vamos tentar!"
Daí encontrei você. O primeiro indicativo de que uma mulher pode desgraçar a minha vida é quando eu a olho e a acho linda, independente da beleza dela. Algo me toca e eu fico "puta merda". E eu só tinha visto umas 3 ou 4 fotos suas no Tinder. Bom, eu até já te conhecia dos corredores da Veiga, mas... vish, nunca achei que fossemos compatíveis.
Porra, pior é que éramos. Nerd, maluca, retardada mental mesmo. Só falava groselha. Mas mais do que isso, afundada em problemas reais. E mano, se tem algo que eu realmente dou valor nessa vida é em encontrar alguém que viva problemas parecidos com os meus, pois empatia é sempre importante. Nenhuma mulher que eu realmente amei no passado compreendia as coisas pelas quais eu passava. Vai por mim, é uma merda estar com alguém que se preocupa com o sabor do bolo pro aniversário dela enquanto você grila com a palavra câncer.
Enfim, bastou uns poucos encontros e você já estava lá, me vendo na formatura. Bastou alguns beijos pra eu já estar dormindo na sua casa, eu você e sua dog. Bastou um pouco de empatia pra você conhecer minha mãe. Só bastou um pouco e a gente já tava dizendo que se amava. Nossa, sério? Por quê tão rápido? É estranho quando tudo acontece rápido assim, mas tem piloto que fala que o melhor nesses casos é cair de cabeça e curtir a viagem. Concordo. Independente da porrada, se você estiver de capacete, você aguenta.
Ou pelo menos você acha que aguenta, né? Mas não vem ao caso. O que vem é que eu realmente estava ali, após tanto tempo, acreditando que já tava de saco cheio de não ser feliz e que eu deveria tentar dessa vez. Planejamos morar juntos, alugar uma casa, ríamos do bizarro acontecimento que foi nossos últimos ex estarem namorando naquela altura do campeonato, como se fosse uma afronta a nós. Como se fôssemos realmente importantes, né? Mas confesso, era engraçado. Era leve. Eu não via o tempo passar com você.
Eu tinha orgulho de ti. É uma baita jornalista, escreve bem e lê melhor ainda. Não tem medo de nada, cai de cabeça nas pautas, se tiver que ir pra rua no meio de um tiroteio, você se joga. É muito bom olhar para uma pessoa com fascínio, sabe? Pena que nunca sentia reciprocidade nisso. Mas se você diz que me ama, então amado estarei. Não preciso de confirmações, fico de boa com a palavra de quem eu confio.
Confiar... Porquê diabos você me enganou por meses, se já namorava alguém? Porquê fez planos comigo? Surreal.
Enfim, a gente precisa errar pra aprender a perdoar, mas também pra entender quem realmente não merece nosso perdão.