04/07/2019

O fim do meu martírio.

4 anos e meio de sofrimento, de puro estresse, de uma montanha-russa de emoções indescritíveis, mas a grande maioria, sentimentos negativos.
Vejam bem, não é como se a faculdade fosse ruim, não é bem assim. O problema é que eu cheguei ao fim do caminho com a total certeza de que foi tudo à toa.
Quando faço a contagem de corpos, vejo que eu perdi grande parte de mim por causa da pressão que a faculdade exerceu. Por outro lado, compreendo que aprendi a dar valor aos pequenos momentos de descanso. Hoje eu realmente sei que eu não trabalhava muito, por exemplo. E quando paro pra pensar por esse lado, eu vejo que até certo ponto, valeu a pena.
Por outro lado, se eu pudesse voltar atrás, eu não faria nada disso. Digo isso pois esse diploma não vai alterar em nada a minha vida. Não vai abrir portas. Não mudou minha forma de trabalhar. Eu não evolui praticamente nada. Poucas coisas me orgulham nesse processo, como o meu maravilhoso TCC, mas fora uma ou outra coisa pontual, nada me agradou.
Já comecei no erro, pedindo dinheiro pra poder entrar na faculdade. Fiquei endividado por meses e isso acabou com minha autoestima, com minha confiança, acabou com muito de mim. Depois vieram os estudos exaustivos, a necessidade de estudar com o tempo cada vez mais escasso. Aí vieram as crises no relacionamento que culminaram num término que destruiu meu espírito por tempo suficiente pra tornar o que era ruim pior ainda. De obrigação a martírio, puro e simples. Capotava de sono nas aulas, dormindo cada vez menos. Pra variar, inventaram mentiras de mim, sufocando mais ainda minha estadia. Não sabia mais no que pensar, e quando pensava, chorava. Até que cansei de chorar. Fiquei apático. Nesse processo, também fui enganado por amores, por patrões, por amigos. Fui enganado e comecei a me enganar também. Engatei relacionamentos que eu simplesmente não precisava, por puro desespero emocional. Desemprego, decepções, desunião e um TCC batendo na porta. A desmotivação era nítida e eu já me arrastava dentro do Salineira a caminho do Assaí. Eu só queria morrer, todo dia, toda hora, todo instante. As crises de ansiedade enfim bateram na minha porta e me levaram pro UPA. Quase morri de verdade. Minha professora preferida faleceu. Meu pai faleceu. Eu não sabia sobre o que falar, eu não sabia mais me expressar, foi tudo no puro piloto automático. Só no último período eu me descobri mais apaixonado pelo que fazia, pois escrevi sobre algo que eu gostava, fui orientado por alguém que eu admirava e encarei cada minuto na faculdade como uma contagem regressiva para o fim esperado. No último dia de aula, fui até a frente daquela rampa em espiral e lembrei de quando eu a subi com minha ex para fazer a prova do vestibular: eu estava feliz, alegre, contente. Radiante. Empolgado com a possibilidade de ter um diploma, de ser alguém no mundo.
Eu queria muito que você tivesse dito pra mim: Marcio, você não precisa disso pra ser incrível! Ou sei lá, qualquer coisa parecida com isso. Infelizmente você era boa demais pra me privar do meu sonho de ter um diploma, né? Mesmo sabendo o caminho tortuoso que eu iria enfrentar.
Bom, esse lamento parece um desabafo, e é de fato. Mas todo esse caminhão de chorume serviu pra duas coisas:
a) Provou que mesmo diante de uma vida tão merda, cheia de percalços, cheia de problemas e afins, eu era capaz de ir até o fim pra perseguir um sonho.
b) Pra que eu entenda que as vezes, um sonho pode ser um pesadelo.