27/02/2019

Tudo e Nada.

Aquela pele dourada.
Aqueles lábios.
Aquela mulher.
Aquela.
A mina era uma loucura. Dançava sem parar, brilhava, era uma deusa que só.
Um click do tempo e de repente ela se transformava numa incrível estrela, desfilando pela passarela seus tons pastéis glamurosos.
Em um dado momento, ela era apenas a garota vestida com uma camisa cinza velha e uma calcinha não muito sexy, mas que ninguém se importa.
E não importa mesmo, afinal de contas ela nunca existiu.
Um constructo da minha cabeça, uma mulher inventada. Modelada cruelmente pelo destino para existir em meu subconsciente enquanto desisto de galho em galho.
Enquanto definho em meus mais sórdidos e descabidos pensamentos.
Ou existe. E aí ela é de outro. De outros. De ninguém. De alguém.
Sereia do mar. Concha no oceano. Uma mancha na areia, uma brisa antes do temporal.
Ela é tudo. Ela existe e permeia o meu ser. Me faz mais forte.
Me faz mais fraco.
Ela é nada.
O incrível e desconexo espaço-tempo distorcido em suas linhas corpóreas, desenhadas na curvatura de suas costas e na sua volumosa bunda.
Uma sintaxe.
A própria força da natureza.
Bela por existir, incrível ser humano inexistente.
Em 2.248.214 universos possíveis você foi minha.
Mas não seria justo tê-la em todas as linhas temporais.
Você merece bem mais.
Bem mais.