Despida de sonhos, suas memórias eram vis.
Caída no chão do quarto, prostada perante suas indecisões.
Era só o que podia fazer, mas não estava quase morta. Pelo contrário, era só o sentimento de culpa.
Culpa consumida em doses homeopáticas, intercaladas entre um gole e outro.
Entre os móveis pretos e o armário branco, havia um alguém.
Nua, impenetrável, inalcançável, mas exaurida.
Todo aquele jeito de garota certinha, sem pecados, a única que pode apontar o dedo na cara dos outros.
Não, você não podia, mas o fez. Incontáveis vezes, tanto que perderam o hábito de contar.
E contaram essa história, em tom uníssono.
E pelo vale da culpa, essas vozes ecoaram e chegaram até você.
Aqui você se encontra, aqui sempre estará.
Veja bem, meu bem: Para julgar, você precisa ser juíz.
Todo o resto é especulação. E te digo mais, nada te digo.
Pois no fim das contas, você só colhe o que planta.