27/06/2016
Aos vermes, com muito carinho.
O que diria um morto a seus entes queridos? O que falaria uma pessoa baleada a seu assassino? Talvez teríamos muitas revelações, um monte de crimes solucionados, imaginem só quantas declarações de amor seriam feitas. Cada morto um novo Brás Cubas, prontos para escreverem suas próprias biografias. Será que os mortos se comunicam em espírito? Ou será que eles entram em contato por carne podre, defunta e despida em seus esqueletos? Boa pergunta. A vida sempre foi uma linha tênue entre a inexistência e a morte, talvez o único ponto relevante da existência do planeta, o que torna tudo tão mais despretensioso ou até importante. Não saberia dizer. O que compreendo é que exploramos o mundo sem explorarmos o nosso próprio planeta, e cada cabeça um novo planeta, então seriam zilhões de planetas já habitados no sistema solar chamado terra, então imagine quantos planetas nessa galáxia particular da sociedade deixaram de ser habitados não por falta de combustível para a nave, ou por falta de tecnologia suficiente, mas sim apenas por falta de curiosidade ou excesso de obstáculos terrenos. Terrenos? Nah, obstáculos impostos por nós mesmos, na ânsia de sermos aquilo que jamais seremos, vivendo vidas que não são nossas, beijando bocas que jamais deveriam ser encostadas. Ah, quisera eu poder viver novamente para cometer os mesmos erros. Sim, eu já estou morto, e só quem me ouve são estes nobres vermes que se alimentam de mim, regurgitando os pedaços da minha vida.
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