25/09/2014

Calabouço.

Quero gritar mas estou sufocado, de palavras inteiras que cismam em querer sair juntas. Então me calo. Fico ouvindo tudo ao redor e mensurando as dores do mundo. Pudera eu entender o que se passa na cabeça dos outros mas, na realidade, nem da minha cabeça eu entendo. O que importa, é o que me transmitem, é o que me entregam para julgar. Cruel sentir que já falou tudo o que tinha para falar e mesmo assim lhe faltar diversas palavras para se expressar. Cruel sentir que existem muitas lutas a serem travadas e que todas elas estão travadas no tempo. As vezes, para relembrar como eu era, eu preciso entrar num calabouço enorme, sem tochas e com uma escada bem íngreme, e basta eu bobear um pouco pra eu poder cair de uma vez. As vezes, basta fechar os olhos e eu já me sinto diferente. Mas em nenhuma dessas realidades alternativas eu mudo minha personalidade. Minha forma de expressar, de agir, até de titubear, mudam muito dependendo do terreno aonde eu me encontro. Mas o que está dentro de mim nunca muda. E nunca mudará. Basta apenas uma fagulha, e tudo explodirá.