14/06/2014

Pietà

Rasga-me por dentro, ó dor imensurável.
Destrua tudo em meu coração.
Siga a luz do teu caminho, compre minha seiva,
e me deixe sem nenhuma emoção.

Carregue contigo a ordem de minha vida.
Estúpida, frágil e incoerente.
Compacte minhas dúvidas em frágeis cápsulas
Que implicarão na vida de tanta gente.

Explique para minha pessoa como é sofrer,
Tome conta de minhas têmporas, de minha garganta.
Afinal de contas, o que de mal tem em se magoar?
Reclamar não leva a nada, jamais adianta.

Dor. Palavra de 3 letras com profundidade imensurável.
Seja física, emocional, mental ou sexual.
No final tanto faz, como tanto fez
Pois será com certeza dor do tipo desigual.

Todos te sentem, quase todos te rejeitam.
Alguns te querem até para namorar.
Por ora vamos todos dançar fingindo existir,
Pois será para sempre impossível te ignorar.

11/06/2014

Isso mesmo.

É estranho chorar por chorar. Quando não existe motivo aparente, mas as lágrimas caem. Mesmo que procure motivos, causas, sensações, você não acha. E acaba chorando por estar chorando.
Seu coração está ok, as coisas parecem estar dando certo, tudo caminha, mas algo te aflige. Você não sabe, não consegue compreender. Feridas não aparecem, nada faz sentido. Nada, de verdade.
E é assim que, com sua garganta cada vez mais fechada, que você fica procurando ar em cantos rarefeitos que outrora eram ricos em ar limpo. Só é foda quando é sem motivo. As pessoas olham seu rosto frágil e perguntam, perguntam, perguntam. Perguntas que parecem punhais entrando logo abaixo do coração. E você, sem resposta, acaba sendo torturado, ficando refém de si mesmo. Mas a vida anda, a vida tem que andar. Tudo o que resta é engolir o choro e bater a poeira, pois o espetáculo precisa continuar.