Depois de tanto tempo, de tanta luta, de tantas reviravoltas, eu pereci.
Cai, que nem um patinho na lagoa.
Desabei.
Senti novamente com a mesma intensidade, tudo que senti um dia.
Mesmo que por um instante, mas senti.
E desabei. E me emocionei. E chorei.
Cigarros estirados pelo chão, uma gota de suor que se misturava as inúmeras lágrimas que brotavam de mim.
Eu, que por tanto tempo me mantive forte, pela primeira vez chorava realmente pela sua ausência. E sentia que tudo poderia ter sido diferente.
Poderia, mas não foi.
Uns céticos costumam falar que chorar o leite derramando é bobagem.
Mas eu, particularmente, mando sempre os céticos pro quinto dos infernos.
Pois, chorar, é a maior dádiva que papai do céu deu para nós. Sem elas, nunca saberia quem realmente você é, para mim.
Eu não me importo com quem virá, se não mais será, se algum dia será.
Não me importo com nada.
Não me importo com você, com ela, com todos.
Nem comigo.
Nem com nada.
Nada.
Absolutamente nada.
Vazio.
Oco.
Desde quando eu me perdi?
Desde quando eu desisti?
Não lembro. Está tudo em branco pra mim.
Eu estaria melhor hoje, cortando minha garganta. Mas eu não sou covarde de sair da minha vida pelas portas dos fundos.
Meu orgulho não me permite isso.
Meu coração sangra, chora, e ainda bate.
E hoje sei por que ele bate. E por quem. Por quem sempre bateu.
A minha história, ela vai prosseguir. Com páginas em branco, até que você volte a escrever nela por mim. Não irei passar na frente de ninguém nunca mais, mas eu prometo: Nunca mais desistirei de nós.